“Como está o rio Doce?”

16/11/2017

“Como está o rio Doce?”

Saiba o status do rio após o maior desastre ambiental do Brasil.

Há dois anos, a barragem de rejeitos de Fundão, na região de Mariana em Minas Gerais, causou o maior desastre ambiental da história do Brasil. Até hoje não se sabe a extensão exata da destruição gerada pela tragédia.

 

Além das mais de 250 famílias mineiras desamparadas e com o futuro incerto, o meio ambiente também está sofrendo com as ações humanas. A lama da barragem de Fundão invadiu as águas de uma das maiores bacias do sudeste brasileiro, o Rio Doce. O incidente causou comoção nacional por se tratar de um cartão postal, por milhares de pessoas dependerem diretamente do rio e por destruir grande parte da fauna e flora que vivam pulsantes na bacia.

 

O rio Doce se transformou em um verdadeiro rio de lama, estando contaminado desde sua nascente. Especialistas analisaram a água e constataram que altos níveis de alumínio, manganês e ferro que impactam diretamente na saúde do rio. Cidades que dependiam diretamente do rio Doce, como Governador Valadares, uma das maiores cidades da região, chegaram a declarar estado de calamidade pública. O lastro de destruição seguiu até chegar em Espirito Santo e desaguar no oceano Atlântico.

 

Segundo ambientalistas, cerca de um trilhão de organismos vivos dentre eles vidas humanas, espécies de peixes, invertebrados, anfíbio, répteis e outros seres foram cimentadas pela lama ou ficaram sem oxigênio. Existiam, também, espécies que viviam unicamente no rio que foram possivelmente extintas. Um grande número de aves entradas mortas no percurso do desastre até o mar.

 

Esse desastre é praticamente inestimável, apesar dos esforços para rever esse quadro. Mas, como está a situação rio após dois anos? Biólogos, geólogos e oceanógrafos que pesquisam a bacia ainda não conseguem dimensionar o tamanho das consequências do desastre. Ainda não é possível concluir quais são os efeitos dos rejeitos que chegaram até o oceano e que continuam sendo carregados pelas correntes marinhas. Alguns animais tornaram a habitar o ambiente do rio, porém a análise feita nos animais não é conclusiva, por exemplo, não há como dizer se os animais estão em condições adequadas para o consumo. Um ponto todos concordam, é muito improvável que consigam retirar todos os rejeitos de minérios que dominaram o rio.

 

As ações de correção dos danos causados não só ao rio, mas a todas as demais instancias atingidas pelo desastre, é a Fundação Renova. Contudo, o plano de ação para manejo dos rejeitos de minérios foi aprovado apenas em junho desde ano pelo CIF (Comitê Interderativo), liderado pelo Ibama.

 

Como a Fundação Renova irá atuar: primeiro ela segmentou a região afetada em 17 partes. Cada uma delas terá uma solução adequada a necessidade. Em algumas áreas, os dejetos serão removidos, em outras eles permanecerão no local, porém com ações corretivas. Em alguns trechos, a lama será aterrada com areia para voltar o cultivo. A expetativa é de daqui cinco anos, as áreas que ficam à beira do rio tornem a normalidade.

 

Essas e outras ações planejadas pela Fundação Renova ainda estão sendo aplicadas aos poucos, a não ser pelas ações emergenciais, ou de contenção. É possível monitorar as ações do grupo via site oficial, http://www.fundacaorenova.org/, navegando pelo “mapa da reparação”.

 

Ainda há muitas pesquisas sendo aplicadas para recuperação da saúde do rio Doce. Há estudo sobre o uso de mata ciliar para contenção de dejetos nas margens do rio, pesquisas a respeitos da saúde dos peixes (com previsão de resultado no início do ano de 2018) e afins. Decerto, é preciso manter o monitoramento constante para que possamos alcançar as soluções definitivas para deste problema.

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